Religião e política?
Maria canta no Magnificat, “Deus vem tirar do trono os poderosos”. O serviço que a religião presta ao mundo é o da instauração do Reino de Deus. Esse é seu “projeto político”. Deus que quer “salvar todos os homens e o homem todo” se preocupa com a forma como vivemos nesse mundo. Daí a importância da política. Ela é a arte do bem comum, o serviço aos que vivem no mesmo lugar.
A religião deve influenciar a política para que ela
atenda a esse seu propósito de servir ao bem comum, garantir às condições
básicas para que vivamos com dignidade. Foi o Divino Mestre quem disse: “Quero
vida e vida em abundância”.
Em muitos lugares, Deus voltou a ocupar a cena do
discurso político. Mas, que Deus? Na verdade, um deus oportunista, que agita as
massas e grita de cima dos muros. Um deus que se alegra com o enriquecimento e serve
para justificar a pobreza e a miséria. Um deus que fecha os olhos a violência, maus-tratos
e extermínios, pois isso é um “mal necessário”. Um deus que se ensurdece diante
de mentiras, que cruza os braços diante de desigualdades e injustiças. Que deus
é esse?
Um deus oportunista que justifica o discurso de
políticos aproveitadores que surgem como “messias”, mas que na verdade são
“diabos”. Dividem, agridem, atacam, e pouco, muito pouco fazem para transformar
o lugar em que vivem. De repente aparecem como paladinos da moral, mas suas
vidas se distanciam do sentido da própria moral. São imorais em suas ações que
pouco contribuem para o bem comum.
Qualquer mudança passa por uma nova consciência
marcada pelo Evangelho. Isso é o que chamamos de conversão. Para que isso
ocorra, é preciso conhecer o Deus de Jesus.
Quero mencionar duas parábolas que podem nos ajudar
a conhecer o Deus de Jesus e o seu projeto de salvação. Dentro um contexto
político-partidário e religioso, elas nos deixam lições valiosas para a busca de
uma boa política.
A primeira é a parábola do Bom Samaritano (Cf. Lc
10,25-37). Através dessa parábola reconhecemos que existem os violentos e os
violentados. Como agir diante dessa realidade? Devo Aliviar o sofrimento dos
que sofrem violência! Em uma sociedade tão marcada por violências, o Deus de
Jesus, aparece como o Príncipe da Paz”.
A tradição judaico-cristã conhece a Deus como o
“Deus da paz” (Cf. Is 9,5). Ela se manifesta a nós como uma saudação que
contempla os desejos mais profundos do ser humano que envolve bem-estar e a tranquilidade.
Foi isso que Jesus desejou aos seus apóstolos depois de ressuscitado. Nesse sentido,
entendemos que a concepção de paz não é ausência de guerra ou
conflito, nem mera passividade diante da violência, mais sim o bem estar da
vida cotidiana. Esse é um importante caminho para os que fazem política.
Não
podemos esquecer dos violentos. O homem caído, representa as muitas vítimas dos
violentos. Como transformar essa realidade? Sem dúvida,
por meio da melhoria das condições de vida dos indivíduos, da superação das
desigualdades, da satisfação das necessidades básicas que garantam uma vida
digna. Isso nos leva a outra parábola que Jesus conta (Cf. Mt 25,35ss). Nessa parábola,
ele apresenta situações que precisam ser mudadas como por exemplo a fome e a
miséria, a doença, falta de moradia. A chave para entrar no Reino dos Céus
depende da forma como agimos diante dessas realidades.
O caminho para a instauração do projeto do reino de
salvação é desafiador, por isso mesmo, devemos olhar na direção certa para não
cairmos em ilusões e enganações que provem da boca dos falsos profetas que
anunciam falsos deuses.
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